Nesses dias que precedem o que se pode entender como o melhor momento humano do ano, gostaria de falar sobre as coisas boas que revestem o espírito humano no Natal, isso porque nessa data, mesmo sem querer, somos todos levados pela gigantesca caravana da compaixão e da indulgência que roda terra afora a sensibilizar todos os transeuntes terrenos.
Entretanto, me aterei ao singelo lado da boa vontade humana, sem a qual essa não existiria essa grandiosa cartase (palavra a que alude Aristóteles na sua obra Arte Poética, quando trata dos efeitos da tragédia -espécie ou género da poesia dramática, vista aí como a imitação de uma ação de caráter elevado, imitação por meio de atores e não de narrativa, quer dizer, por meio de representação e não de recitação, e que, suscitando terror e piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções, a purificação é catarse).
Para Kant cada um de nós, uma vez portadores de uma boa vontade, saberemos escolher, dentre nossas regras particulares, aquela regra que pudesse valer para todos os demais - nesse sentido criticou o conceito de felicidade, entendido como um bem que fosse o fim da filosofia moral.
Nesses trilhos, a felicidade, para o jus-filosofo, era a soma de todas as inclinações humanas. Cada qual tem a sua noção de felicidade, porém o conteúdo da ação moral estaria na prática por dever e não por inclinação, isso porque o dever conteria a boa vontade, um tipo de querer com valor absoluto, independente de qualquer outra influência.
O certo é que o dever caracteriza, na ética kantiana, a necessidade de uma ação por respeito à lei moral - uma lei universal das ações que manda agir de acordo com a máxima que a vontade quer que se torne uma lei válida para todos nós.
No Natal, com tanta gente comprando presentes, as inclinações humanas respondem unísonas a uma mesma vontade valorativa, essa "fraternidade" emocional faz emanar de nossos corações aquilo que temos de melhor para oferecer, muito embora do ponto de vista ideal esteja longe de se compreender a necessidade da troca mercantilista dos presentes e não seu simples entregar gratuito e desprovido de pretensões.
Para dar uma leveza ao assunto e, trocando em miúdos, desejo que a boa vontade existente em cada leitor desse blog crie regras universais para conduzí-lo ao almejado estado de felicidade, expulsando cartaseamente todos as temores e dores - fardos inúteis em especial nessa ocasião de festas.
FELIZ NATAL !!!
sábado, 22 de dezembro de 2007
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